A Relação entre Franquia e Franqueados!

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marinhoEntrevista com Marinho Ponci – Diretor Executivo da DOM 48 Franchising

FRASE: “A verdadeira felicidade não é alcançada através da autogratificação, mas através da fidelidade a um propósito digno”

Empreender, entre muitos outros conceitos, significa agregar valor, saber identificar oportunidades e transformá-las em um negócio lucrativo. E disso os brasileiros entendem: segundo a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor de 2013, três em cada dez brasileiros sonham em abrir um negócio próprio.
Na hora de tirar os planos do papel e partir para a ação, muitas pessoas preferem evitar o risco de apostar em algo inédito e optam por abrir uma franquia.
Razões para isso não faltam: em tempos de instabilidade econômica, associar-se a uma marca já consolidada no mercado e investir em um modelo de negócio já testado e aprovado pelos consumidores oferece segurança e até certa estabilidade ao dono do negócio.
Porém, a relação entre franqueado e franqueador vai muito além do investimento. Mario Ponci Neto, diretor executivo da DOM 48 Franchising, detalha como esse relacionamento funciona na prática e dá dicas para quem deseja investir no setor:

PERGUNTA: No geral, ao assumir uma franquia, quais são as expectativas do franqueado? Existe uma falsa ideia de que o mercado de franquias é fácil e que o negócio “anda” sozinho? Eles costumam “sonhar muito alto” e alguns acabam se decepcionando por não ter o retorno esperado?
MARINHO PONCI: Quando um franqueado vem atrás de uma marca ele procura realizar um sonho e não sabe exatamente o que quer. Ele acredita que a franqueadora tem a solução para realizar esse desejo, por isso não percebe que essa realização depende muito mais do próprio trabalho do que do apoio da marca.

PERGUNTA: Para evitar esse “sonho”, quais são as informações e dados que ele precisa levar em conta?
MARINHO PONCI: Não acredito que deva evitar o sonho, pois desde que bem administrado, o desejo pode se transformar em metas e realizações. O candidato a franqueado deve ter o auxílio de um profissional tarimbado de mercado que o auxilie nessa busca para que a emoção não seja o único fator decisivo.

PERGUNTA: Como funciona o processo para se tornar um franqueado? Quais são as etapas e os cuidados necessários?
MARINHO PONCI: O candidato deve fazer a escolha a partir de uma marca que tenha intimidade, que já conheça ou seja fã. Após essa identificação, o indicado é procurar um profissional que possa ajudá-lo no conhecimento do sistema de franquias, visitar as lojas em diferentes locais e falar com vendedores e franqueados sobre a experiência de cada um. A partir daí, ele deve agendar uma visita na franqueadora em conjunto com um coach de franchising. O ideal é sempre ser ponderado e deixar a emoção para depois da inauguração.

PERGUNTA: Atualmente, quais são os principais problemas que acontecem durante este processo?
MARINHO PONCI: Ambas as partes podem se decepcionar. Tanto a franqueadora pode identificar que o franqueado não tem o perfil para operar a marca, como o candidato pode desistir ao reconhecer a fundo o processo. É muito comum o candidato “desencantar” após conhecer a rotina do negócio, mas faz parte de todo processo seletivo.

PERGUNTA: Quais são os direitos e deveres do franqueador?
MARINHO PONCI: Todo franqueador tem o dever de transferir o know-how ao seu franqueado da maneira mais clara e completa possível, ter processos bem definidos e nunca, em hipótese nenhuma, mentir ou omitir informações para seu parceiro. Em contrapartida, tem o direito de zelar pela idoneidade de sua marca e defendê-la de qualquer mau uso ou ações que a deprecie.

PERGUNTA: E quais são os direitos e deveres do franqueado?
MARINHO PONCI: O franqueado tem o direito de usar a marca e o know-how adquirido pelo período do contrato vigente para ter sucesso em seu negócio. Ele também deve ajudar na construção da marca, além de cuidar e zelar para que ela não seja arranhada.

PERGUNTA: Qual é o limite desse relacionamento?
MARINHO PONCI: O limite está no bom senso. Não faz sentido uma parte exigir algo na qual a outra terá prejuízo. Todos têm que entender que estão do mesmo lado e lutando pelo mesmo objetivo. Se existir ponderação entre os parceiros, esse limite sempre será produtivo, respeitoso e todos saberão o que podem ou não fazer.

PERGUNTA: Existe algum setor onde esse relacionamento é mais complicado? Por que isso acontece?
MARINHO PONCI: Sempre o setor mais sensível em qualquer parceria, até em casamentos, está no financeiro. Tudo o que envolve dinheiro e cobrança exige um grau maior de sensibilidade.

PERGUNTA: E em qual setor essa relação costuma dar mais certo? Quais são os “acertos” dessas empresas que poderiam ser copiados pelas demais?
MARINHO PONCI: Não acredito que essa medição seja setorial, e sim que tenha mais a ver com o perfil dos profissionais envolvidos no processo. O maior acerto é ambas as partes entenderem que estão no mesmo lado do jogo, que são parceiros de verdade e desejam a mesma coisa.

PERGUNTA: Como melhorar o relacionamento entre ambas as partes?
MARINHO PONCI: O segredo de um ótimo relacionamento está no respeito. Os dois lados devem curtir o processo do dia a dia, tirar da cabeça que o resultado é melhor que o negócio e deixar de tomar decisões por dinheiro e sim por estratégia.

Entrevista concedida à revista ABLSAN 2015
Nome completo: Mario Ponci Neto
Cargo: Diretor Executivo da DOM 48 Franchising

 

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